• Dra. Tielle Machado

AUTISMO E VITAMINA D: METANÁLISE EVIDENCIA FATORES DE RISCO



"Pesquisadores conseguem evidenciar o aumento significativo de risco de autismo em pessoas com o polimorfismo do gene VDR, receptor da Vitamina D"

Infelizmente o Hormônio D (HD) ainda tem o apelido de vitamina D. Até o principal livro de farmacologia que usamos na graduação de medicina (Goodman & Gilman's, página 897) já fez a correção necessária da Vitamina D, sendo mais correto a chamar de hormônio D.⁠

Os efeitos positivos dos níveis do hormônio D em QUALQUER ser humano já está mais do que comprovado, muitos ainda estão presos na idéia da sua importância pois ainda estão presos no conceito de que se trata apenas de uma vitamininha (tão importante que o SEU CORPO produz, cara pálida ferritina baixa). A adequação dos níveis de “vitamina”D então está mais para uma modulação hormonal do que qualquer outra coisa. ⁠

Recentes estudos já relacionaram baixos níveis de HD com a severidade do autismo, e ainda: uma gestante com baixos níveis de HD também há um aumento de risco de autismo. Essa metanálise evidenciou que alguns polimorfismos em VDR (Vitamina D Receptor) aumentam o risco de autismo.⁠

O VDR é um receptor nuclear para o HD (na forma 1,25D3). Quando há a ligação de VDR e HD esse complexo se une ao recetor retinóide (RXR), então formamos um mega complexo (VDR-D3-RXR) que se dirige o NÚCLEO da célula onde se ligam aos elementos de resposta à vitamina D (VDRE) que MODULAM e REGULAM a TRANSCRIÇÃO de quase 1000 genes. ⁠

Pois é …. vitamininha D , será D de DNA? ⁠

Polimorfismos nesse receptor estão associados com o risco de autismo (a metanálise identificou: VDR rs731236 e VDR rs7975232).⁠

VDR está envolvido obviamente na regulação e transcrição genética mediada pela ligação com o hormônio D, mas além disso também participa na regulação do metabolismo mineral, e uma variedade de vias metabólicas envolvendo resposta imunológica, pré-disposição ao câncer, hipermeabilidade intestinal e disbiose intestinal, e pasmem …. no sistema dopaminérgico (neurotransmissor envolvido nos sintomas do autismo) quando regula a expressão do gene da COMT (catechol-o-methyl transferase).⁠

Não há mais como negar que o HORMÔNIO D tem um papel fundamental no entendimento das comorbidades presentes no autismo e na gravidade dos sintomas.


PS: Mães de autistas devem SEMPRE evitar quaisquer questionamentos referentes à "culpa" quando o assunto é CIÊNCIA, aprendizado humano, descobertas no presente que farão uma diferença importante nas gerações futuras com a divulgação do conhecimento. Justamente por esses conhecimentos não serem bem divulgados, a Medicina fica debilitada em poder ajudar as mamães durante o pré-natal de forma completa. Não existem "culpados" na ciência, essa busca por "de quem é a culpa" não leva ninguém a lugar nenhum quando falamos de CIÊNCIA. Além disso, essa metanálise (estudo de mais alto grau hierárquico na ciência) fala sobre os polimorfimos genéticos que aumentam risco de autismo na pessoa. A humanidade só se beneficia com a CIÊNCIA e com a sua DIVULGAÇÃO, não existem culpados, não busquem culpados, isso é CIÊNCIA e estamos TODOS aprendendo a cada dia. Meu conselho para as mães é ao invés de buscar "culpados" busquem o entendimento, a compreensão do assunto, da sua importância, do seu impacto, porque só através desses aprendizados é que poderemos ser capazes de cobrar mais por uma Medicina de melhor qualidade, mais humana, mais estudiosa, mais dedicada e mais científica.

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Sds,

Dra Tielle Machado