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REVISÃO SISTEMÁTICA E METANÁLISE SOBRE DIETA SEM GLÚTEN E SEM CASEÍNA NO AUTISMO



A mais recente Revisão Sistemática e Metanálise sobre esse tema, publicada pela Nutrition Reviews do Grupo Oxford Academic (fator de impacto 7,1) mostrou que a dieta sem glúten e sem caseína pode reduzir os comportamentos estereotipados e melhorar a cognição de crianças com TEA.


Recentemente, em outubro de 2021, a revista Nutrition Reviews - Oxford Academic (fator de impacto 7,1) publicou essa revisão sistemática com meta análise em que investigaram os benefícios da dieta sem glúten e sem caseína (SGSC) (sem trigo e sem leite de vaca e derivados) e dieta sem glúten (DSG) para pessoas autistas.


Essa Revisão Sistemática (RS) e Metanálise (MA) fez a seleção de 8 estudos / n: 297 (144 no grupo de intervenção e 153 no grupo controle) e conseguiu evidências POSITIVAS com o básico do básico: dieta sem glúten e sem leite e dieta sem glúten isoladamente (o que já deixei claro que não é protocolo e a intervenção nutricional não se resume a isso). Vejam meus comentários sobre esse assunto no carrossel.



Vamos aos achados:


* Os resultados da MA indicam que a dieta SGSC a auxilia nos SINTOMAS relacionados ao comportamento estereotipado e cognição.


* TODOS os estudos reportaram a segurança da dieta SGSC e que não aumenta os riscos e a segurança comparados com a dieta regular.


* O resultado da MA reafirma resultado de estudos prévios relacionando essas substâncias com esquizofrenia e outros distúrbios psiquiátricos


* A MA também revelou uma descrição narrativa na diminuição dos sintomas do trato gastrointestinal (em especial constipação e diarréia), um dos estudos mostrou a melhora comportamental nesse subgrupo de pacientes autistas (perfil gastrointestinal) e também no subgrupo de pacientes autistas com SINTOMAS ALÉRGICOS, os benefícios foram observados em pacientes que seguiram por mais de 6 meses de intervenção dietética.


* A MA reforça que RS prévias insistem em afirmar que não há evidencias para INCLUSÃO DA DIETA COMO FORMA DE TRATAMENTO (o que também concordo, pois não há como ter protocolo de dieta, mas que a intervenção nutricional deveria fazer parte da equipe multidisciplinar de cuidado à pessoa autista, isso sim deveria mudar), por isso que precisamos de NOVOS ESTUDOS com amostras maiores, melhor desenhados e otimizar o duplo-cego, mesmo sabendo que isso é difícil em nutrição.



Vamos agora as considerações:


Esse assunto se mantém controverso, e muito se discute pois as conclusões sobre o que é sintoma relacionado ao trigo e leite e o que é sintoma do autismo se confundem entre os profissionais e também entre os pesquisadores.


Primeiro que é muito difícil se avaliar o efeito de um alimento (que tem milhares de constituintes e interações com o corpo) no metabolismo humano.


Segundo que cegar uma pesquisa com um alimento tão característico é quase que impossível, como você consegue “enganar” uma pessoa que está comendo pão sem glúten ou não está tomando leite de vaca??? Em uma pílula podemos colocar a substância a ser analisada e também colocar placebo no grupo controle, com o alimento isso é praticamente impossível.


Não podemos esquecer dos fatores de confusão nas conclusões observadas nos desfechos. Por exemplo: uma criança que esteja no grupo da dieta sem glúten pode continuar em exposição ao trigo, pois há um fator crucial:


A CONTAMINAÇÃO CRUZADA, que pode continuar motivando sinais e sintomas, mesmo em uma dieta “parcial” sem glúten. Métodos de controle devem ser desenhados para evitar esses vieses.


Outra coisa: a interpretação dos sinais e sintomas e o tempo de condução do estudo.


Como estamos falando de um espectro, o TEA, as respostas à diversas intervenções serão diferentes, pois não temos como padronizar e randomizar efetivamente os grupos, são características genéticas diferentes, microbiota diferente, imunidade diferente e se relacionando com alimentos diferentes.


Sem contar que reações adversas aos alimentos (isso não é exclusivo de trigo e leite) podem ser inespecíficas, fora do trato gastrointestinal, mas sutis a ponto de melhorar a saúde GLOBAL da pessoa autista, isso é um ponto positivo, mas pouco analisado.


E o tempo?


Não adianta querer que intervenção nutricional faça milagres ou ainda em pouco tempo de acompanhamento (a maioria dos estudos observam os resultados após 6 semanas, e poucos chegam a 12 meses, o que seria ideal é após pelo menos 18 meses se avaliar novamente a resposta à dieta, e dieta controlada sem viés)


E por fim, em última análise a dieta sem glúten e sem leite de vaca NÃO é protocolo, e por traz das diversas orientações nutricionais existe a PERSONALIZAÇÃO da “dieta” e quem me dera que na maioria dos casos fosse SOMENTE tirar trigo e leite e colocar alface e batata doce, como muitos pensam (contém ironia).


Essa discussão e falta de senso para avaliar pacientes tão diferentes sem estratificar corretamente seus perfis (uma randomização efetiva) acaba por confundir os pais e também os profissionais de saúde leigos no assunto:


Nutrição x Sistema Imune x Metabolismo x Nutrigenômica Nutrigenética.


É mais simples dizer: “não funciona”, ou “só ABA tem comprovação científica”, ou “dieta restritiva faz mal” (oi? Que restrição? Sorvete, queijo, biscoito e pão???).


Esse tipo de incoerência além de atrasar mais as pesquisas, prejudica pessoas que poderiam ter uma vida melhor se cuidasse melhor do eixo mais importante dos últimos tempos: microbiota - intestino - cérebro (MIC)


Entretanto, MESMO ASSIM temos MUITA evidência de que intervenção nutricional PODE SIM ajudar todo e qualquer ser humano (vejam bem, não estamos falando de curar o autismo, porque sabemos que não há cura, também porque não é uma doença).


Ressalta-se cada vez mais a importância de PERSONALIZAR o tratamento identificando o perfil de comorbidades de cada autista dentro do espectro (gastrointestinal, sindrômico, inflamatório, imune, neurológico, endócrino, bioacumulador, infeccioso, metabólico e mitocondrial) pois somente assim seremos capazes de aplicar uma MEDICINA DE PRECISÃO com um tratamento individualizado que atende às necessidades e particularidades de cada pessoa autista.


Sds,

Dra Tielle Machado

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📚 REFERÊNCIAS:


Liuliu Quan, Xinjie Xu, Yonghong Cui, Heze Han, Robert L Hendren, Lidan Zhao, Xin You, A systematic review and meta-analysis of the benefits of a gluten-free diet and/or casein-free diet for children with autism spectrum disorder, Nutrition Reviews, 2021;, nuab073, https://doi.org/10.1093/nutrit/nuab073


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