• Dra. Tielle Machado

TRATAMENTOS INAPROPRIADOS NO AUTISMO E AMBIGUIDADE DE SINTOMAS



"Artigo publicado pelo Dr Al-Beltagi, pediatra, PhD, pesquisador e professor na Universidade de Medicina de Tanta, reforça a importância de investigar e tratar as comorbidades presentes no autismo antes de iniciar outras intervenções."

Comorbidades no Autismo.


O médico, professor e PhD, Dr. Al-Beltagi definiu comorbidade: “Presença de uma ou mais desordens ou doenças adicionais que coincide com a doença ou transtorno primário”

É um segundo diagnóstico que tem sintomas DISTINTOS do primeiro diagnóstico.


É muito comum a presença de comorbidades no autismo, e o Dr Al-Beltagi reforça a importância de que médicos sejam treinados para olhar a pessoa autista como um todo, que ela seja encaminha para as terapias, mas que antes sejam descartadas condições tratáveis e orgânicas que podem Star exacerbando o seu autismo ou até mesmo causando sintomas ambíguos que costumam ser colocados na “conta do autismo”


As comorbidades precisam ser investigadas e devidamente tratadas, e ele ainda reforça: “Crianças que possam desfrutar de uma boa saúde tem uma maior chance de aprender. Isso pode ser aplicado a qualquer criança, incluindo as crianças autistas”


Quais são as comorbidades que devem ser investigadas? Pessoas autistas tem mais chances de apresentar comparado com a população em geral:

* ECZEMA E ALERGIAS DE PELE: 1,6 mais chances

* ASMA E ALERGIA ALIMENTAR: 1,8 mais chances

* INFECÇÃO DE OUVIDO RECORRENTE: 2,1 mais chances

* DORES DE CABEÇA SEVERAS: 2,2 mais chances

* DIARRÉIA OU COLITE: 3,5 mais chances

* PROBLEMAS GASTROINTESTINAIS: 7 vezes mais chances (SETE VEZES)


O autor ainda traz à tona um alerta: A presença de comorbidades e a interpretação errônea dos sintomas ambíguos aumenta o risco de mortalidade, e como a maioria dessas comorbidades são tratáveis isso pode proporcionar uma melhora SUBSTANCIAL na qualidade de vida da criança e da família.


Não é fácil identificar essas comorbidades principalmente pela dificuldade de comunicação, ambiguidade dos sintomas, a apresentação dos sintomas e a mudança dos sintomas de acordo com o tempo. Somado a isso o autor reitera: “Esses fatores também são agravados pela crença generalizada de que comportamentos e sintomas atípicos são "apenas parte do autismo””


Outro fator importante destacado no artigo é a SALA DE EMERGÊNCIA, e o autor ainda propões guidelines de atendimento e treinamento de profissionais, crianças autistas tem 30% mais chances de irem para a emergência e esse número sobe quando atingem a adolescência para 70%, a sala de emergência já é um desafio e pode ser ainda maior no atendimento à pessoa autista devido a uma dificuldade de comunicação, a presença de ansiedade, comorbidades não identificadas, problemas comportamentais e REACIONAIS à dor, estímulos sensoriais, som, luz e equipe mal treinada para o atendimento. Esses fatores fazem com que a criança autista esteja mais vulnerável ao tratamento inapropriado.